Metal progressivo, com raiz funda em rock progressivo dos anos 70 (Rush, Yes, Genesis), pitadas de fusion e uns arranjos que de vez em quando soam quase música de câmara. É tipo pegar Rush, Metallica e um diploma de conservatório e jogar tudo no liquidificador.
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Esquece a ideia de banda com "visual". Dream Theater nunca vendeu apelo estético, venderam competência. O uniforme é cabelo comprido, camiseta preta, jeans e um tênis confortável pra ficar de pé tocando compasso ímpar por quinze minutos sem errar uma nota.
O detalhe é que, ao contrário de quase toda banda de metal, o rosto mais forte do grupo nunca foi o vocalista. É o John Petrucci curvado sobre a guitarra de sete cordas e o pedal de efeitos, é o John Myung parado, olhando pro chão, tocando runs de baixo de cair o queixo sem nenhuma expressão (apelido de "estátua" entre os fãs), é o Jordan Rudess brincando com um controlador tipo teclado-touchscreen que ele mesmo ajudou a inventar. James LaBrie, o vocalista, é excelente, mas numa plateia de Dream Theater o maior "uou" da noite quase nunca é pra ele.
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1985, Boston. John Petrucci, John Myung e Mike Portnoy eram colegas de curso na Berklee College of Music, a escola mais nerd de música do planeta, e formaram uma banda chamada Majesty ainda matriculados. Curtiram tanto o negócio que trancaram a faculdade pra apostar tudo ali, decisão que na época soava loucura de adolescente e hoje é citada em toda entrevista como o momento decisivo.
Só que já existia outra banda registrada com o nome Majesty, e precisavam trocar antes de assinar contrato. A lenda romântica que corre por aí é que o nome novo veio de algum conceito profundo sobre sonhos e teatro. Não é bem assim: o pai do Portnoy avistou o letreiro de um cinema de bairro (um "movie theater" mesmo, de pipoca e ingresso) em Monmouth County, Nova Jersey, chamado justamente Dream Theater, e sugeriu pro filho. A galera achou que soava bem pra uma banda de metal progressivo e ficou por isso mesmo. Trocaram de vocalista até chegar em Charlie Dominici e gravaram o disco de estreia "When Dream and Day Unite" em 1989, e aí começou o parto de verdade.
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O primeiro álbum vendeu mal e a gravadora largou a banda logo depois, sem cerimônia. Precisaram recomeçar quase do zero, trocando de vocalista de novo: saiu Dominici, entrou James LaBrie em 1991 depois de mandar uma fita demo. Deu certo: "Images and Words" (1992) emplacou "Pull Me Under" na MTV e no rádio, e virou o disco que definiu a cara da banda pro resto da carreira.
Sucesso não significa paz interna. Kevin Moore, o tecladista original e um dos fundadores, bateu a porta logo depois do álbum seguinte, "Awake" (1994), cansado da rotina de turnê raiz de metal progressivo e querendo fazer algo mais experimental. Entrou Derek Sherinian, que também durou pouco por divergência de rumo criativo. Só em 1999 a cadeira do teclado se estabilizou de vez com Jordan Rudess.
A treta grande mesmo, aquela que virou documentário, foi em 2010. Mike Portnoy, baterista, cofundador e o cara que na prática tocava de diretor da banda, pediu um hiato de um ano, citando desgaste e questões pessoais, mas apresentou isso como ultimato: ou a banda topava o hiato, ou ele saía. A jogada saiu pela culatra: os outros quatro se reuniram sem ele, decidiram seguir a carreira e aceitaram a saída em vez de negociar, pegando todo mundo de surpresa, inclusive o próprio Portnoy. Virou climão público com farpas em entrevista por anos. Pra escolher o substituto, fizeram audições com nomes pesados da bateria progressiva, tudo filmado e lançado como documentário. Mike Mangini levou a vaga e ficou treze anos na cadeira, até que, em 2023, depois de mais de uma década de mágoa, veio a reconciliação: Portnoy voltou pra formação, resultando no álbum "Parasomnia" (2025), o primeiro com a escalação clássica reunida desde 2009.
A assinatura sonora é jogar rock progressivo dos anos 70 no liquidificador com peso de metal e técnica de conservatório: troca de compasso a cada dois compassos, uníssonos telepáticos entre guitarra e teclado, e músicas que às vezes duram mais que um episódio de série. O auge do experimentalismo é o álbum conceitual "Metropolis Pt. 2: Scenes from a Memory" (1999), uma história completa de reencarnação e assassinato contada em uma hora de disco. Os hits mais palatáveis pro grande público seguem sendo "Pull Me Under", "Another Day" e "The Spirit Carries On".
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