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SLIGHTLY STOOPID
Gênero: reggae rock com pancada de dub, punk e hip-hop — a receita clássica da cena de praia do sul da Califórnia.
A Slightly Stoopid nunca teve um "visual de banda" no sentido tradicional — o figurino é literalmente ir pra praia. Miles Doughty e Kyle McDonald, os dois vocalistas e guitarristas que dividem o microfone desde o colégio, sobem no palco de bermuda larga, regata ou camisa aberta, boné pra trás ou gorro puxado, e violão cheio de adesivo de skate e superfície arranhada de tanto uso. Não tem coreografia nem produção: eles preferem aparecer suados e largados do que bonitinhos num clipe.
Com o tempo o palco cresceu — ganhou percussionista, tecladista e uma seção de metais — e virou tipo um pelotão de praia, mas o centro continua sendo aquela dupla trocando verso e batendo papo com a plateia sem se importar nem um pouco com imagem.
Esquece a história de "garoto prodígio descoberto num festival". Miles Doughty e Kyle McDonald se conhecem desde bebês — eram vizinhos em San Diego, na região de Ocean Beach, e cresceram andando de skate antes de pegar num instrumento. A banda nasceu ainda no ensino médio, no Point Loma High School, com o baterista de infância Adam Bausch completando o trio. O primeiro show oficial rolou no horário de almoço da escola, com equipamento levado de carro — e letra suja o bastante pra render chamada na sala da vice-diretoria, com pedido de desculpas por escrito incluso.
A parte que quase ninguém acredita é como o Bradley Nowell, do Sublime, entrou na história. Ele não os viu tocando num bar badalado: estava hospedado na casa da mãe do Doughty, que trabalhava com reabilitação, como parte do próprio tratamento contra o vício em heroína. Foi ouvindo os moleques ensaiando na garagem que ele ficou impressionado o suficiente pra chamar a banda pra abrir um show do Sublime no Foot Hill Tavern, em Long Beach — e depois assiná-los pro próprio selo, o Skunk Records, com os dois ainda cursando o colegial. Nem o nome tem origem oficial: Doughty admite que era só uma bobeira de "slightly isso, slightly aquilo" numa conversa qualquer, e a grafia torta pegou porque "é tão idiota que gruda".
Sobreviver ao próprio sucesso deu trabalho. A banda trocou de baterista cinco vezes antes de Ryan "RyMo" Moran finalmente grudar na cadeira em 2003 — Kyle McDonald resumiu o clima da época comparando a banda a um casamento: "não dá pra ficar unido fazendo música se vocês não estão se dando bem". No fim dos anos 90, gravadoras grandes bateram na porta oferecendo contrato, e a dupla não topou abrir mão do controle criativo: preferiram fundar o próprio selo, a Stoopid Records, pra manter os masters de tudo que gravam — não como jogada de grana, segundo eles, mas pra ter liberdade de ajudar outros músicos também.
Por anos também bancaram fama de banda anti-clipe, recusando gravar vídeo porque não queriam câmera enfiada na cara no meio da turnê. Só cederam bem mais tarde, quando o clipe de "Don't Stop" levou prêmio de melhor vídeo do ano em San Diego, em 2012.
A assinatura da Slightly Stoopid é essa mistura sem cerimônia de reggae e dub com punk, hip-hop, funk e até uma pitada de metal — trilha sonora perfeita pra fogueira na praia que às vezes vira mosh pit. Isso rendeu hits certificados como "2 A.M." e "Closer to the Sun" (ambos em platina) e "Collie Man" (ouro), além do álbum Top of the World, que em 2012 chegou à 13ª posição da Billboard 200 — número que tirou de vez a etiqueta de "banda clone do Sublime" que grudou neles nos primeiros anos. Hoje têm até fã-clube com nome próprio, os "Stoopid Heads", no mesmo molde dos Deadheads do Grateful Dead.
- 01Sublime— mesmo DNA punk-reggae-dub de Long Beach, com Nowell como elo direto entre as duas bandas
- 02Pepper— trio do Havaí com a mesma receita de reggae rock pra festival de praia
- 03Rebelution— reggae californiano mais melódico e produzido, parceiro de turnê recorrente
- 04Dirty Heads— mesma cena SoCal, só que com mais tempero de hip-hop e pop
- 05Iration— reggae surf rock de Santa Barbara, irmão de estrada na vida de turnê